Blade Runner 2049 promove o retorno triunfal dos replicantes

Com genialidade, Denis Villeneuve renova o universo de Blade Runner

Em 1968, Philip K. Dick lançou o livro Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?
Em 1982, o mundo conhecia a interpretação deste universo pelos olhos de Ridley Scott.
Em 2017, os replicantes retornam com toda a sua força pelas mãos geniais de Denis Villeneuve.

Blade Runner é um dos clássicos cult mais queridos do público. Seu universo cyberpunk nos apresentou os replicantes, androides humanoides criados para a escravidão em colônias fora da Terra que se rebelam e retornam ao planeta para conhecer seu criador, e Rick Deckard – o Blade Runner, o homem que tem a missão de caçá-los. A distopia futurística e as discussões filosóficas trazidas em 1982 agradaram a gregos e troianos e tornaram o filme uma grande referência dentro do sci-fi.

Em uma era de remakes e retornos a grandes universos, sempre ficamos com um pézinho atrás quando anunciam a retomada de histórias que amamos. Em algo grandioso como Blade Runner não seria diferente. Porém, Denis Villeneuve sabe o que faz e a trama que ele tece, 30 anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, nos deixa na pontinha da poltrona do cinema, ansiosos pela próxima cena, e apaixonados pelo que é contado durante cada segundo das 2h43 minutos do longa.

Respeitando as principais características do filme de 1982, inclusive o ritmo em que o desenvolvimento acontece, Blade Runner 2049 apresenta uma nova geração de replicantes obedientes e servis, desenvolvida por Niander Wallace (Jared Leto) e sua Wallace Corp, que comprou os espólios da antiga fabricante Tyrell Corp. Os antigos replicantes Nexus 8, que se rebeleram e causaram o blackout em 2022, são caçados e “aposentados”. Para o trabalho de terminar com sua vida útil, surge um novo Blade Runner, o policial K (Ryan Gosling) da LAPD.

Em sua caçada aos remanescentes Nexus 8, K se depara com uma investigação misteriosa envolvendo um “milagre entre os replicantes” que o levará até Rick Deckard (Harrison Ford), Blade Runner que sumiu pouco depois dos acontecimentos de 2019 – quando se passa o filme de 1982.

Confesso que fiquei um pouco “preocupada” com o protagonismo de Ryan Gosling, apesar de até então ter gostado de todos os filmes em que o vi atuando. Provei que estava errada, já que ele é fan-tás-ti-co!, e ele provou que merece um papel desses. Seja nas cenas de luta, de drama, de obediência à sua chefe, vivida por Robin Wright, ou em seu relacionamento com a IA Joi (Ana de Armas). Sem falar no encontro dos nossos dois Blade Runner, K e Deckard (Harrison Ford), que aqueceu nossos corações e rendeu as poucas risadas do filmes.

Ainda sobre o elenco: Jared Leto pode até ser o nome por trás da Wallace Corp, mas aparece em pouquíssimos momentos do filme e sua assistente-replicante Luv (Sylvia Hoeks) rouba a cena com uma atuação espetacular.

O roteiro do filme, assinado por Hampton Fancher e Michael Green, é genial e ri da sua cara quando você acha que desvendou toda a trama. A narrativa é envolvente e graças ao retorno de Fancher, o roteirista de Blade Runner (1982), é extremamente fiel aos principais aspectos que nos fazem apaixonar pela história no primeiro filme. Os conceitos que já conhecemos são mais aprofundados, como a crise de identidade, algo que Villeneuve gosta bastante de explorar. Sem mencionar as referências que fazem os fãs vibrarem.

Roteiro e direção andam de mãos para tornar o filme esta experiência incrível e de tirar o folêgo. Villeneuve não se tornou um dos diretores de cinema mais influentes à toa. Cada um de seus trabalhos é feito com maestria. Se você assistiu ao melhor filme de 2016, A Chegada, você sabe do que falo. Em Blade Runner 2049, ele nos prova que pode pegar qualquer universo que queira e nós amaremos o resultado.

Estética e Cinematografia

Você pode até sentir falta de alguns elementos visuais presentes no filme de 1982, mas sua essência está contida em Blade Runner 2049. Antes de qualquer julgamento, é preciso lembrar que 30 anos se passaram desde que vimos aqueles momentos serem perdidos no tempo como lágrimas na chuva. Tivemos o blackout e muito aconteceu nesse futuro distópico. A estética do filme faz com que sintamos exatamente isso. A destruição, a escassez de recursos. Seja na cidade neon ou no cenário desértico. O visual é de encher os olhos com seus hologramas, os efeitos práticos, a chuva constante, a neblina laranja e as cores frias que predominam. A cinematografia assinada pelo premiado Roger Deakins (Onde Os Fracos Não Tem Vez, Skyfall) nos brinda com verdadeiras peças de arte que deveriam estar penduradas em museus.

Trilha Sonora

Uma das características marcantes de Blade Runner (1982) foi a atmosfera produzida pela trilha sonora de Vangelis. Em Blade Runner 2049, a trilha sonora é boa… Mas não passa disso. Desde os créditos iniciais, eu fiquei buscando por aquele score memorável. Ainda estou esperando. Não é que o trabalho de Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer seja ruim – afinal de contas, é o fodendo Hans Zimmer. Porém, é como se estivesse faltando um elemento nessa história toda. Pode me chamar de saudosista, se quiser, mas foi o que eu senti.

Curtas

À pedido de Denis Villeneuve, foram produzidos três curtas-metragens para contar o que aconteceu após 2019. Os curtas fazem uma excelente ponte entre os dois filmes, tanto para entender o background motivacional de alguns personagens – como é o caso de 2036: Nexus Dawn e 2048: Nowhere To Run –, quanto para realmente nos mostrar o que houve em 2022, o ano do blackout. Dirigido por Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop), o anime Black Out 2022 é uma obra de arte à parte.

Cinematografia10
Efeitos10
Elenco10
Roteiro10
Direção10
Trilha Sonora8
Blade Runner 2049 tem o potencial para se tornar mais um clássico do cinema. Vai agradar o público novo e os fãs da história.
9.7

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Jennifer Baptista

Jennifer Baptista

Motherflippin crazy fangirl. Gosto de filmes de navinha, viagem no tempo, robôs gigantes alienígenas e alienígenas que não são robôs gigantes. Prefiro séries a pessoas e queria ser a River Song.