Sopa de Salsicha: Não, não é um livro de receitas

E não tem salsichas na história.

Eu pessoalmente nunca dei muita importância e, na verdade, nunca li nenhuma autobiografia, mas Sopa de Salsicha me chamou a atenção por contar a história de um desenhista que quer fazer uma graphic novel… Sobre sua vida! De primeira, o traço é muito bonitinho e carismático, transbordando vida e personalidade com suas pinturas de textura orgânica e predominantemente fria, dando um toque de que foi realmente feito à mão. O gibi gira em torno de Eduardo Medeiros – protagonista, desenhista e escritor da história – e a Baixinha (Aline), sua esposa que, apesar de não ser “a protagonista”, possui tanta importância quanto o próprio escritor.

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Tudo começa com um sonho espacial com Michael Bolton, antigo ídolo de Eduardo (e de sua mãe), onde o cantor lhe dá a fantástica ideia de escrever uma graphic novel. A partir daí, quando necessário (ou quando Edu busca por conselhos), o bonitão vem e lhe enche de inspirações, ideias e lições de vida, sempre encaixando com o momento e com as necessidades do nosso herói. O roteiro segue Eduardo enquanto ele narra a história de sua vida com a Baixinha, contada em fragmentos conforme passam o dia-a-dia comendo todo tipo de receita à base de banana feita pela Aline. Descobrimos sobre sua infância, sua família, seus amigos, os problemas que lhe impediram de trabalhar, sua mudança para Santa Catarina (e o motivo para tal), como entrou no mundo dos desenhos, suas aspirações antigas, sonhos que sempre teve – e até mesmo a história por trás de seu cabelo. Tudo isso enquanto procura um norte para seu gibi.

O autor busca até em seus velhos amigos ajuda escrever seu quadrinho – e o legal desses momentos é que os próprios amigos, como Rafael Albuquerque, Gustavo Duarte e os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, se tornam convidados e ilustram suas aparições! Quando Edu conta algo que aconteceu em sua época jovem, o fundo da página vira uma folha de caderno e o traço recebe um estilo muito mais simples e livre, parecendo realmente um rabisco qualquer – uma estética fantástica! De fato, uma saga de mudança, amadurecimento e dificuldades, citando problemas psicológicos que atrapalharam o desenhista ao longo do tempo e outras coisas, como chuveiros apertados.

Não tem como não terminar de ler e não ficar apaixonado pelo Eduardo, pela Baixinha e as emoções que suas histórias trazem. Nesse cativante quadrinho, tive inspiração para começar ou continuar alguns projetos pessoais que estavam estagnados. Sinceramente, é algo que eu recomendaria que todo mundo, em algum momento da vida, lesse. É engraçado, divertido, emocionante e encantador.

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SPOILER: No final da graphic novel, a Baixinha resolve desenhar uma historinha romântica. E esse trecho entrou pro quadrinho exatamente do jeito que a própria Aline fez! É lindo e MUITO fofo. Eu nunca esperaria isso. Me pegou de surpresa – e que surpresa!

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  • critica sobre hq
Nota10
10

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Felipe Ramos

Felipe Ramos

Designer, pirata espacial, baixista e weeaboo softcore. Frases de efeito são a essência da minha alma.