Crítica: Bruxa de Blair

Imagino que todo fã de cinema, ao menos uma vez na vida, tenha se indagado quanto ao que acabou de ver. Nem sempre porque o filme superou expectativas ou não as alcançou, mas muitas vezes por simplesmente não conseguir entender se o diretor do filme estava à frente ou atrás do seu entendimento. São momentos em que é difícil determinar se você conseguiu entender a completitude da obra.

Assisti à Bruxa de Blair com uma amiga que divide de minha paixão para com filmes de terror, e portanto a visão que tivemos sobre o filme foi extremamente crítica e analisando aspectos técnicos. Normalmente, a despeito de todo o espectro de agrado de um filme, costumamos classificá-lo primariamente como “bom” ou “ruim”. Quando a tela se calou e eu tentei dizer à ela o que eu tinha achado do filme, eu percebi que simplesmente não tinha um julgamento primário.

Como não havia pesquisado muito antes de ver o filme, me surpreendeu um pouco quando o nome Adam Wingard subiu à tela. Não que o filme fosse estranho ao seu estilo de direção, apenas fiquei ainda mais confuso do que estava. Adam Wingard é o típico diretor que eu costumo classificar como estando um passo a frente do espectador, um daqueles que por vezes não se consegue compreender toda a profundidade dos filmes meramente vendo a obra casualmente.

Fiquei algum tempo calado antes de perguntar a opinião da minha amiga. Eis que ela responde que também não tinha uma opinião definida, mas a princípio não tinha se assustado muito. Concordei. Claro, como o trailer já mostra de antecedência, o filme tem alguns jumpscare incríveis e momentos extremamente tensos, mas a parte ruim do cenário de filmes de terror atual é que você demora pra perceber se o filme havia te deixado verdadeiramente tenso ou apenas usado das famosas artimanhas de Hollywood pra fazer seu coração bater mais rápido.

Não me entenda errado, não é como se naquele momento eu ainda não tivesse começado a julgar o filme, tanto é que durante todo o filme eu comentei sobre personagens, cenas e técnicas utilizadas. Outro detalhe é que durante toda a sessão eu me surpreendia ao perceber que a interpretação da minha amiga sobre certos acontecimentos era completamente diferente da minha! Isso é, como em qualquer bom filme de terror, alguns fatos são deixados implícitos e outros em aberto. Mas a questão é que nesse filme, além do found footage, todas as técnicas utilizadas te fazem ter tanta dúvida e conhecimento daquele cenário quanto os personagens, o que causa uma enorme imersão e, como supracitado, uma divergência de interpretações.

Por ser um espectador atento, percebi alguns detalhes geniais (como minha amiga concordou quando os expliquei) na trama. Claro, por causa da imersão eles acabam não sendo necessários pra se entender completamente o filme, uma vez que nada disso nem ao menos fique claro para os personagens, mas ainda assim eu recomendo fortemente que prestem bastante atenção nos detalhes se quiserem ter a experiência completa.

Pontos fortes:

  • O filme inteiro é completamente imersivo, nunca te deixando saber mais do que os próprios personagens.
  • Os sustos são muito bem executados e as cenas tentam mexer com o psicológico e com medos comuns humanos.
  • Os cenários são aterrorizantes e fazem jus ao filme original, contribuindo também para a imersão.
  • Outro ponto forte é a psicologia fortemente humana dos personagens, que dentro do cenário do filme têm reações extremamente válidas para o terror sendo vivenciado (um fator decisivo na comparação com outros filmes atuais de mesmo gênero).
  • O roteiro é muito inteligente e o cenário do filme é extremamente maduro.

Pontos fracos:

  • Apesar de algumas atuações se destacarem bastante, você acaba não conseguindo se afeiçoar muito aos personagens.
  • A câmera balançando, apesar de contribuir para o propósito do filme, torna a experiência um pouco cansativa e até enjoativa pra pessoas que assim como eu tem problemas com movimento (AKA motion sickness).
  • Alguns elementos introduzidos acabam sendo deixados de lado com o desenvolver da história.
  • O filme dá uma impressão de correria muito grande a partir da metade do segundo ato, parecendo ignorar todo o ritmo anteriormente imposto ao filme.

Considerações finais: é sempre bom lembrar que esse filme, apesar de não ter anunciado isso tão fortemente, é uma continuação do primeiro filme, não um reboot, não um sucessor espiritual e definitivamente não um remake.

NOTA8.7
8.7

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