#Medo31: Dilemas morais e sangue em Morgan | #HEALLOWEEN

Um filme com uma ótima premissa, visuais incríveis mas execução não tão boa assim

Olá e feliz #HEALLOWEEN! Começamos hoje no site nossa série de resenhas sobre os filmes do #MEDO31. Todo dia uma resenha nova. Esta, porém, está saindo com um certo atraso, e inclusive peço desculpas. Sem mais delongas, vamos lá?

O filme

Morgan (2016) é um filme dirigido por Luke Scott (filho de Ridley Scott, que também dirigiu os curtas de Blade Runner 2049) e escrito por Seth Owens.

A história gira em torno de uma espécie nova de “IA biológica”, Morgan (Anya Taylor-Joy, a Thomasin em The Witch), que subitamente machuca uma de suas criadoras. Lee Weathers (Kate Mara que entre muitos papéis, fez a Zoe em House of Cards) é enviada para o lugar em que Morgan está e enfrenta um dilema moral: a IA deve ser sacrificada? Ela deve ser tratada como uma coisa ou como uma pessoa?

Personagens

Apesar do filme possuir excelentes personagens como a Lee e a Morgan, muitos outros foram… Descartáveis. Além das protagonistas, existe apenas mais duas personagens que foram memoráveis, mas ainda sim não tiveram muito desenvolvimento. Entendo que o foco era no conflito entre as duas principais, mas acho que os outros mereciam um pouco mais de trabalho.

Roteiro

Apesar de tudo fazer sentido e eu não necessariamente me sentir traído, algumas vezes as decisões foram um tanto… Forçadas. Parece que algumas coisas não aconteceriam conforme foi se não houvesse a mão do roteirista ali para empurrá-la.

ATENÇÃO! SPOILER!!!

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O fato da Morgan matar, no início, me foi muito forçado. Só passou a fazer sentido depois que ela foi levada à sua execução, onde a Dra. Cheng (Michelle Yeoh, a Yu Shu Lien em Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny) dá umas declarações meio… forçadas à Morgan. Apesar da notável frieza da doutora, ainda sim acho que suas duras palavras para a IA foram um exagero, uma empurrada pra que ela quisesse matar todo mundo depois. Algo que não gostei, inclusive, é que até a metade do filme o foco era nas questões morais. Depois, perde totalmente o propósito e profundidade, tornando-se um banho de sangue e uma caçada entre Lee e Morgan. Tudo isso a partir de uma reviravolta que, pra mim, foi desnecessária e estranha.

Atuação

Um dos pontos fortes do filme. Kate está IMPLACÁVEL nesse filme e nos ensina o que é uma mulher forte. Dá pra ver no seu olhar toda sua determinação, força e foco. Anya também está excelente como Morgan, dando um show como IA, com toda sua confusão moral e “falta de humanidade”. Sua maquiagem, aliás, é muito boa. Outra atuação que eu gostaria de destacar é a de Rose Leslie (A Ygritte de Game of Thrones), Dra. Amy Menser. Suas cenas de medo e desespero são fantásticas!

Fotografia

A parte em que o filme se destacou pra mim. Fotografia excelente, as paletas de cor são impecáveis. Todas as cenas são um show de arte e eu honestamente enquadraria muita coisa desse filme. Cenas mais sombrias tem as cores bem frias, cenas mais “heartwarming” são bem quentes e vibrantes. Eu nem sei exatamente o que descrever, eu fiquei sem palavras o tempo inteiro. É uma obra de arte, sério.

Trilha Sonora

Olha. Desculpa, não me chamou muita atenção. Fez o trabalho de sempre, de seguir o clima, mas acabei nem notando muito ela. Claro, Max Richter é um compositor premiado (recebeu prêmios por Leftovers e Arrival), mas ouso dizer que seu trabalho neste filme não foi nada muito explosivo. O que não significa que tenha sido ruim.

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Roteiro3.5
Personagens6
Atuação8
Fotografia10
Trilha Sonora4
Morgan não é um filme ruim, mas pra mim, também não é dos melhores. Vale a pena assisti-lo caso seja um entusiasta das inteligências artificiais e questões morais envolvendo-as. Não diria que é o melhor nessa questão, mas é, pelo menos, interessante. Caso você queira um filme para te dar medo, nojo ou desconforto - seja a partir do nojo ou da tensão - procure outro. Como um filme de horror, não é especial em nada. Como um filme sobre IA e moralidade... Também.
6.3

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Felipe Ramos

Felipe Ramos

Designer, pirata espacial, baixista e weeaboo softcore. Frases de efeito são a essência da minha alma.